dispo-me de ti e parto desta cidade
vês-me? consegues ver-me ainda, aqui, esperando, imagem feita de cinza, beijos vazios dados no ar? na tua pele, a minha boca, perscrutando-te. na minha pele, a tua camisa, que teimei em não despir. num gesto de amor desamparado, o teu corpo iludindo o meu. vês-me? vês como continuo a respirar na cadência dos teus abraços invisíveis? vou-me. não quero mais habitar este labirinto, paredes massacradas pela ausência do que fomos, soalhos percorridos por passos imaginados, janelas que não voltaram a abrir. uma porta. vou. não posso mais esperar por ti. abandono a tua vontade à solidão de um último olhar. apanho a mala, fecho a porta, avanço até ao velho elevador. subo. cá fora, o ar frio da manhã acaricia-me o rosto. sei que tenho de partir. a cidade, vazia, fica para trás. a estrada guia-me. a música toca. sorrio. é perséfone quem canta.
obrigada nAnonima por transformares tudo isto em palavras



Comentários
obrigada pelo carinho e pela oportunidade.
beijo
e já agora, a música! Tudo bonito:)
beijos
:)
noir,
obrigada, já sabes!
Katherine,
como não é meu, agradeço pela nAnonima.
Morris
:)
Morris,
bom fim de semana para ti também.
pedro b,
haja alguém.
A nAnonima tem sido incansável com as minhas manias...
obrigada pela visita
:)
:)