dispo-me de ti e parto desta cidade



vês-me? consegues ver-me ainda, aqui, esperando, imagem feita de cinza, beijos vazios dados no ar? na tua pele, a minha boca, perscrutando-te. 
na minha pele, a tua camisa, que teimei em não despir. num gesto de amor desamparado, o teu corpo iludindo o meu. vês-me? vês como continuo a respirar na cadência dos teus abraços invisíveis? vou-me. não quero mais habitar este labirinto, paredes massacradas pela ausência do que fomos, soalhos percorridos por passos imaginados, janelas que não voltaram a abrir. uma porta. vou. não posso mais esperar por ti. abandono a tua vontade à solidão de um último olhar. apanho a mala, fecho a porta, avanço até ao velho elevador. subo. cá fora, o ar frio da manhã acaricia-me o rosto. sei que tenho de partir. a cidade, vazia, fica para trás. a estrada guia-me. a música toca. sorrio. é perséfone quem canta.

obrigada nAnonima 
por transformares tudo isto em palavras

Comentários

Anónimo disse…
e tu é que me agradeces?! :b

obrigada pelo carinho e pela oportunidade.

beijo
je suis...noir disse…
Lindas fotos e um texto que representa bem as fotografias!:)

e já agora, a música! Tudo bonito:)
Anónimo disse…
É um texto lindo :)
S disse…
nAnonima,
beijos
:)

noir,
obrigada, já sabes!


Katherine,
como não é meu, agradeço pela nAnonima.
P disse…
texto+fotos=!
UIFPW08 disse…
beijos bom fin de semana
Morris
pedro b disse…
gosto bem! :)
S disse…
P,
:)


Morris,
bom fim de semana para ti também.


pedro b,
haja alguém.
pedro b disse…
oh, até parece que sou o único a gostar!
Patife disse…
O Patife gosta disto. Com inspiração da nAnonima tanto melhor. ;)
S disse…
Patife,
A nAnonima tem sido incansável com as minhas manias...
obrigada pela visita
:)
Anne disse…
adoro!
S disse…
Obrigada Anne.
:)

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