«Sento-me muitas vezes em frente a esta janela, que o sol esventra, sem pudor, todas as manhãs. Pedi que lhe tirassem as cortinas e elas fizeram-me a vontade, são boas raparigas. Nos dias azuis, consigo ver-nos passeando de mão dada, pela rua que desce até ao rio, mas hoje, depois de ter recebido a mensagem da tua filha mais velha, não tive força suficiente para ficar. Escondi-me na cama, tentando encontrar as palavras certas para voltar a falar contigo. Temia este momento. Passaram tantos anos. Agora, aqui sentada, sob a sombra deste prédio esquálido, onde me recolhi da piedade dos outros, tudo parece fazer sentido. Não descemos aquela colina há cinquenta anos, meu amor, ao som do repique dos sinos, como deveria ter sido, mas haveremos de descê-la em breve, se ainda me quiseres. Espera por mim, parto esta noite.»

Flor

6 comentários:

Photo Attraction disse...

Grande poema, grande fotografia!

Rute disse...

Lindo...é um autentico poema em prosa! A fotografia está igualmente belíssima.
Não restam dúvidas que sempre que aqui venho, o meu corpo estremece...às vezes tb de saudade, mas a maior parte das vezes é de emoção, de encantamento que sempre tens por aqui. Muitas vezes não tenho tempo para comentar, mas passo sempre para ver pois diz-me sempre muito, tanto as palavras como as fotografias.

1 beijinho Sónia e um bom fim-de-semana :)

flor disse...

da minha parte, muito agradeço as palavras simpáticas deixadas. a foto narra muito mais do que a minha vã tentativa, dependendo de quem a lê. eu li-lhe o tempo que não volta mais.

bom fim de semana a tod@s.

S disse...

Photo Attraction,
Obrigada
:)


Rute,
Um excelente fim-de-semana!
:)


flor,
ainda assim... que se viveu!
(Estou sempre a recordar-me do sorriso da senhora ao passar!)
Um bom fim-de-semana com muitooo descanso!
:)

alberto oliveira disse...


Flores para a fotógrafa da fotografia e para o texto da flor.

S disse...

Alberto,
Obrigada. :)

Um beijinho