#1 Das viagens...


houve um tempo em que enganava o desespero do corpo, mantendo-o adormecido. de tanto dormir, longe da claridade que queima, a dor foi-se anestesiando. é o que tento agora, embalar o corpo, para que durma, mas o corpo, cansado de mim, já não se deixa enganar. a tristeza que lhe roubo ao anoitecer, devolve-ma em madrugadas brancas de facas afiadas. algures, perdi a habilidade com as palavras, perdi a vontade. todos os gritos são mudos.

(obrigada por me permitires usar este magnífico texto) daqui

3 comentários:

flor disse...

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.


Obrigada eu.

P disse...

Excelente, excelente ligação.
(Sinto eu que perdi a habilidade com as palavras, se alguma vez a tive... Recupera-se? Cria-se nova? Aceita-se que não se tem e/porque nunca se teve? Enfim... Segue a vida.)
bj

S disse...

P,
Que bom ver-te por aqui. :)
(Mesmo que o sintas acredito que essa tua habilidade continua lá...)
De qualquer forma... sim, segue a vida e tenta-se por tudo não fingir mesmo que isso doa!

um beijinho grande de saudades