não habito em ti


Sento-me a ler e perco-me nas horas. Neste silêncio, sozinha nesta casa vazia, ocupo o espaço com palavras, palavras avidamente lidas. Não passamos de seres ocasionais; leio, e relembro o quanto lamento, no fundo de mim, a proliferação da poeira que te cega os olhos. Perdes-te numa esfera de futilidade que não te assenta bem. Suspeito que também uma inquietação permanente te atormenta e que, um dia, tudo isto fará sentido; e então, entraremos em rota de colisão.