Já não bastava a janela aberta.
A alva cortina, livre ao vento, não era liberdade suficiente.
O piar das aves, era sufocante,
até a lua ria no seu crescente.
Minguava ela, sedenta,
mirrava o corpo, oprimido...
Ao abrigo da noite,
almofada de penas contra o peito,
saiu.
Saiu e acomodou o sono na soleira,
sob o manto de estrelas decadentes.
A manhã que se esperava seguinte,
não lhe chegaria ao corpo enregelado.
Seria livre, finalmente.

texto de Cristina Vicente

2 comentários:

Cristina Vicente disse...

Orgulho e honra por aqui estar… a tua generosidade em partilhar as minhas palavras nesta fotografia tão bela quanto intensa, sensibilizou-me.
E disse-to.
És uma fotógrafa do caraças e da tua arte sobressai, por um lado, a beleza e a emoção das imagens que nos trazes, dando margem a um olhar mais introspectivo e libertador, seguindo-se a intensidade dos textos (teus e dos outros) que nos levam, em viagem, a memórias com diferentes texturas.
Obrigada, Sónia!
Beijinho

S disse...

Oh minha querida, fiquei sem palavras. Obrigada.