Um dia sim acordamos e nunca fomos necessários,
pura e simplesmente porque a necessidade não tem uso.
Supérfluos juramos deprimidos a próxima tristeza,
mas ela tarda em tardar por ser tanto conceito.
Não nos consagramos às formas dos astros e mundos,
somos sempre a curva física que a ciência espera
na lenta moderação ou consumação do universo.
Fechamos as portas, as janelas, fazemos cortinados
na negra escuridão a que nos destinamos de dia,
quando o sol nasce e nos esquecemos do incidente.
Pedro Braga Falcão

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