Sombras A meio desta vida continua a ser difícil, tão difícil atravessar o medo, olhar de frente a cegueira dos rostos debitando palavras destinadas a morrer no lume impaciente de outras bocas anunciando o mel ou o vinho ou o fel.
Calmamente sentado num sofá, começas a entender, de vez em quando, os condenados a prisão perpétua entre as quatro paredes do espírito e um esquife negro onde vão desfilando imagens, só imagens de canal em canal, sintonizadas com toda a angústia e estupidez do mundo.
As pessoas - tu sabes - as pessoas são feitas de vento e deixam-se arrastar pela mais bela respiração das sombras, pela morte que repete os mesmos gestos quando o crepúsculo fica a sós connosco e a noite se redime com uma estrela a prometer salvar-nos.
A meio desta vida os versos abrem paisagens virtuais onde se perdem as intenções que alguma vez tivemos, o recorte obscuro de perfis desenhados a fogo há muitos anos numa alma forrada de espelhos mas sempre tão vazia, sem abrigo para corpo nenhum.
flor, que bonita e ao mesmo tempo sombria é esta floresta. Nesta altura do ano fica coberta de umas flores azuladas que ao anoitecer se tornam mágicas.
beijinho minha querida
Maria, maravilhoso o presente que me deixaste aqui... obrigada! :)
Comentários
A meio desta vida continua a ser
difícil, tão difícil
atravessar o medo, olhar de frente
a cegueira dos rostos debitando
palavras destinadas a morrer
no lume impaciente de outras bocas
anunciando o mel ou o vinho ou
o fel.
Calmamente sentado num sofá,
começas a entender, de vez em quando,
os condenados a prisão perpétua
entre as quatro paredes do espírito
e um esquife negro onde vão desfilando
imagens, só imagens
de canal em canal, sintonizadas
com toda a angústia e estupidez do mundo.
As pessoas - tu sabes - as pessoas são feitas
de vento
e deixam-se arrastar pela mais bela
respiração das sombras,
pela morte que repete os mesmos gestos
quando o crepúsculo fica a sós connosco
e a noite se redime com uma estrela
a prometer salvar-nos.
A meio desta vida os versos abrem
paisagens virtuais onde se perdem
as intenções que alguma vez tivemos,
o recorte obscuro de perfis
desenhados a fogo há muitos anos
numa alma forrada de espelhos
mas sempre tão vazia, sem abrigo
para corpo nenhum.
Fernando Pinto do Amaral, in 'Pena Suspensa'
Beijo, Sónia
que bonita e ao mesmo tempo sombria é esta floresta.
Nesta altura do ano fica coberta de umas flores azuladas que ao anoitecer se tornam mágicas.
beijinho minha querida
Maria,
maravilhoso o presente que me deixaste aqui... obrigada!
:)
Bj Sónia
desde que a lua te acompanhe!
:)
beijinho
Não. Acho que espectacular é ainda muito pouco para definir o que nos mostras através da tua arte.
:)
:)