Partiste com a mentira na boca de que voltarias em breve e agora deambulas pela noite subterrânea, preso à promessa de seres alguém? Mata a esperança, vil mentira dos crentes, doentes, um tiro certeiro na ilusão temporal, lobo occipital. Acaba com essa mentira progressista, esse sorriso consolador, bolor, filosofia de cabeceira. A esperança é dos tolos, parolos, dos que insistem em ficar, alimento dos moribundos, tecto dos sem-abrigo, detrito, carícia, sorriso, abraço, mentira que te aperta a compasso, te esfaqueia a traqueia, mata-a tu. Puta de mil camas, vã, insana, cadela, não a queiras crer, não deixes que a raiz te consuma, apraxia, moléstia maldita, não te deixes tolher. Mata-a. Desengana-te a tempo. Teme. Inventaram o sonho para te magoar, criaram os laços para te ferir. Liberta-te. Faz da solidão o perdão na tua cama. Procura a tua vez. Cai, parte os espelhos, sucalca o corpo doente, fere, morre, mente, ergue-te, mas não lhe dês a mão.
texto da G, do mundo da G



Comentários
Mas eu tenho de dizer duas coisas mais: uma, a Sónia estava lá. Ele não esteve completamente só, duas: há uma mão por trás que o tenta proteger. Parece-me.
Um beijo às duas. Isto, de facto, é arte.
Da minha parte, um beijinho à doce Susana.
Para ti, linda Sónia, uma vénia.
Bem hajam, Sónia e G.
Obrigada pelas palavras
:)
Quanto a ti G, obrigada pela presença constante