A carta que não te escrevi




Meu amor,
Alguma vez te disse em voz alta "Meu amor!"?
Por aqui, os dias seguem vazios sem ti; o frio apodera-se de mim e, lentamente, a escuridão da alma. Há tanto que te queria contar, pequenas coisas do dia-a-dia. 
Por exemplo: hoje passou por mim um senhor já de alguma idade, apoiado na sua bengala e na esposa, um de cada lado; olhando tristemente para o chão e, logo de seguida para mim, exclamou: “Que pena... Está morta!”. Por momentos, julguei que me lia a alma; depois, percebi que no chão estava uma borboleta, de cores maravilhosas, talvez espezinhada por um caminhante que nem se terá dado conta do que fez. Para não parecer rude, respondi-lhe educadamente que de facto era lamentável a morte de ser tão belo e efémero; mas o meu pensamento não saía da forma como davam as mãos.

Comentários

Maria Eu disse…
Há sempre a esperança da ressurreição.

Beijinhos Marianos, S! :)
S disse…
sim, de facto!

beijinho

:)
je suis...noir disse…
Beijinhos.

Gosto de tudo o que ainda não tinha visto :)
S disse…
Maria,
E era muito ou pouco?
;)

beijinho grande

Mensagens populares