caminhas ao meu lado, como um irmão que nunca tive. ombreias-me a dor, enquanto a madrugada nos aponta o caminho oblíquo. seremos dois ou apenas um, não o sabemos ainda. os passos duplicados ecoam na calçada escura. horas e horas a caminhar, no meio do sono acordado à força, seguindo hermes ao fundo. a estrela que nos brilhava há pouco não se vê mais, descemos à terra, rasgando-lhe a primeira camada de húmus gelado com as nossas mãos. sente-se o cheiro nauseabundo do enxofre nos corpos em decomposição. sabemos que seguimos na direcção correcta. não há salvação possível à salvação.
o altar colocado ao centro não arde. o silêncio. um de nós pode transpor aquela parede e regressar, o outro terá de ficar. perto dali, perséfone chora. o altar continua sem luz. a escolha. somos uno, afinal.
texto de Anonima dos Enes
(obrigada pela prontidão e simpatia)
(obrigada pela prontidão e simpatia)



Comentários
obrigada.
o texto combina muito bem, e em uno também estaria bonito!
obrigada eu, mais uma vez pelo belíssimo texto.
je suis...noir,
não faças como eu que penso demais...
Sim, combina na perfeição com o que eu queria, sem sequer ter dito nada à autora do texto, e sim, talvez em uno até ficasse melhor, mas que queres sentimentalismos meus de juntar as duas imagens...
que isto de quem pensa muito...
:) como sempre fenomenal! :)
estou tão bem aqui pelo norte!!