Perguntaste-me quem são aqueles que nos seguem, sombras silenciosas que te acompanham desde menina. Estavam ali no parque. Olhei-os, primeiro com a pressa de quem olha mas não vê, pensando educadamente, só mais tarde, confesso, após a tua insistência, lhes cartografei os rostos sem pudor. Não soubeste do arrepio que me calou. Ao procurar-lhes os traços, pareceram-me inumanos, antropófagos interestelares, desses que cavalgam as galáxias montando os cavalos de Diomedes. Estremeci. Talvez estivesse enganada, talvez fossem anjos, mensageiros de outro mundo, talvez seres da nossa imaginação. Não sabendo responder-te, dei-te o braço e regressámos. Já na barca, procurei Caronte, ele haveria de saber. 
G (do mundo da G.)