Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra vai cair da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.


Herberto Helder

8 comentários:

Ana P disse...

Perfeito S. Muito bonito mesmo


"Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos

se enchem de um brilho precioso

e estremeces como um pensamento chegado"

Rute disse...

Maravilhoso poema para o fotografia não menos maravilhosa.

1 beijinho, Sónia

Anónimo disse...

:) tão bom!tudo.
t.

S disse...

Obrigada Ana,
O Herberto Helder tem sempre as palavras certas!
:)


Rute,
Obrigada
um beijinho


T,
:))

Rute disse...

Sónia, cada vez me custa mais comentar o que aqui deixas, porque como alguém disse, 'é tudo tão bom'...é tudo tão delicado e tão especial e tão subtil...não sei que diga, mas quando quase não digo nada é porque as palavras não servem, não atingem, ficam aquém...e não por insensibilidade ao que vejo.

Beijinhos

Anónimo disse...

saudades tuas. bv. p

S disse...

Rute,
Obrigada... nem sei o que dizer!
beijinho


P.
andamos desencontrados...
beijinho grande

UIFPW08 disse...

Lindo poema Sonia
parabens
Bom dia
Morris